postado por Rayanne Danielly em 03 maio 2013

#11


— E agora? — ele perguntou quando a máquina imprimiu um recibo e a luz vermelha ao lado dela ficou verde.
 — É só a gente entrar ali com o carro?
— Você nunca fez isso? — perguntei a ele.
— Não sou muito do tipo que gosta de limpar o carro apenas pelo lado de fora, por razões estéticas — ele disse. — Além disso, acho que tem um buraco no teto do carro. Fiz sinal para ele seguir em frente e foi o que ele fez, passando pela pequena lombada até a linha amarela, já apagada pelo tempo, onde se lia PARE AQUI. Depois, ele desligou o motor.
 — Beleza — ele disse. — Estou pronto para me surpreender. Eu olhei para ele.
 — Sabe — eu disse —, essa é a sua primeira vez. E então, para que o impacto seja completo, você precisa reclinar o banco.
— Reclinar. — A experiência fica melhor — disse a ele. — Confie em mim. Nós dois abaixamos nossos bancos, nos acomodando. Quando a máquina começou a fazer barulho atrás de nós, estiquei o braço e coloquei novamente o CD para tocar. — Bom — eu disse quando os jatos começaram. — Vamos lá. Primeiro só se ouvia o tilintar da água, depois ela começou a descer pelo vidro na nossa frente, como uma onda. Owen mudou um pouco de lugar no seu banco quando um pingo caiu do teto bem em cima da sua camiseta.
— Que ótimo — ele disse. — Tem mesmo um buraco no teto. Em seguida ficamos quietos, pois a próxima faixa do CD começou com um murmúrio suave, seguido de dedilhados de corda. Havia também um zumbido, mas com a água caindo sobre nós e o interior do carro parecendo cada vez menor, foi como se ele se dissipasse e sumisse lá atrás.
 Eu já sentia o que estava acontecendo: o tempo passava mais devagar, tudo tinha parado para esse único momento, aqui e agora. Virei minha cabeça para olhar para Owen. Ele estava deitado olhando fixamente as escovas, que ficavam maiores, e os círculos de espuma se formando no pára-brisa. Ouvindo. Fechei os olhos para fazer a mesma coisa. Mas tudo o que eu sentia era que toda a minha vida tinha mudado — novamente — nessas poucas semanas desde que tinha conhecido Owen, e, não pela primeira vez, tive vontade de lhe dizer isso, de encontrar as palavras certas e organizá-las, sabendo que essa seria a melhor chance que elas teriam de soar perfeitamente. Virei meu rosto novamente em sua direção, pensando nisso, e abri meus olhos. Ele estava me olhando.
— Você estava certa — ele disse em voz baixa. — Isso é impressionante. Sério.
 — É — concordei. — É sim. E então ele mudou de posição, se aproximando de mim, e eu senti seu braço contra o meu, sua pele quente. E, finalmente, Owen me beijou — me beijou de verdade — e eu não ouvia mais nada: nem a água, nem a música e nem meu próprio coração que deveria estar batendo acelerado. Tudo era silêncio, o melhor silêncio de todos, durando para sempre ou apenas por um momento, até que terminou. De repente, o lava-rápido estava silencioso e a música tinha acabado. Em cima de mim, pude ver um pingo grande, pendendo sobre nossas cabeças. Fiquei de olho nele até que caísse no meu ombro, ao mesmo tempo em que, atrás de nós, uma buzina soou.
Sarah Dessen
Just listen


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