postado por Rayanne Danielly em 24 agosto 2013

#24

— Lay ken, você está morta! — grita Kel pela janela aberta, enfiando a espada imaginária no meu pescoço. Ele fica esperando que eu me curve, mas só faço revirar os olhos. — Eu esfaqueei você. É para você morrer! — diz ele.
— Acredite em mim, já estou morta — murmuro, enquanto abro a porta e saio.
Os ombros de Kel estão curvados para a frente, e ele está olhando para baixo, para o concreto, segurando a espada imaginária sem muita firmeza ao lado do corpo. Seu novo amigo está atrás dele, com o mesmo jeito de derrotado, fazendo eu me arrepender imediatamente de ter descontado neles meu mau humor.
— Eu já estou morta — digo, com minha melhor voz de monstro —, porque sou um zumbi!
Eles começam a gritar, ao mesmo tempo em que estico os braços para a frente, inclino a cabeça para o lado e começo a fazer nojentos sons gorgolejantes.
— Cérebros! — murmuro, andando atrás deles com as pernas rígidas, dando a volta no caminhão. — Cérebros!
Quando dou a volta bem devagar, braços estendidos, percebo um desconhecido segurando meu irmão e seu novo amigo pelas golas das camisas.
— Pegue-os! — grita o desconhecido, enquanto prende os dois meninos, que continuam a berrar.
Ele parece ser uns dois anos mais velho do que eu e é um tanto mais alto. “Gato” seria como a maioria das garotas o descreveria, mas não sou a maioria das garotas. Os meninos estão se debatendo, e os músculos dele se tensionam debaixo da camisa enquanto luta para manter os dois presos.
Meu instinto diz que eu devo me arrastar de volta ao caminhão e ficar escondida no chão
pelo resto da vida. Em vez disso, grito “Cérebros!” mais uma vez e me jogo para a frente,
fingindo morder o garoto mais novo no topo da cabeça. Agarro Kel e seu novo amigo, e
começo a fazer cócegas até eles se esparramarem na entrada de concreto.
Ao me endireitar, o irmão mais velho estende a mão.
— Ei, meu nome é Will. Nós moramos do outro lado da rua — esclarece, apontando para
a casa que fica bem na frente da nossa.
Eu também estendo a mão.
— Meu nome é Lay ken. Pelo jeito, eu moro aqui — devolvo, olhando para a casa atrás
de mim.
Métrica
Colleen Hoover


1 comentários:

  1. esse livro é muito fofo, depois dele até fiquei com vontade de ver um Slam... os poemas que o Will faz para a Lake são lindos demais...

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