postado por Rayanne Danielly em 13 setembro 2013

#27

Continuo a pensar que devo permanecer calma, que tudo isso é fruto da minha imaginação, que tudo vai ficar bem e alguém vai abrir a porta e me deixar sair. Continuo a pensar que isso vai acontecer porque esse tipo de coisa não acontece pura e simplesmente. Isso não acontece. As pessoas não são esquecidas desse modo. Não são abandonadas assim.
Isso simplesmente não acontece.
Meu rosto está coberto de sangue de quando eles me jogaram no chão, e minhas mãos estão tremendo, mesmo quando escrevo isso. Essa caneta é minha válvula de escape, minha única voz, porque não tenho ninguém com quem conversar, nenhuma mente além da minha para mergulhar e todos os botes salva-vidas estão ocupados e todas as boias estão quebradas e não sei nadar, não consigo nadar não consigo nadar e está cada vez mais difícil. É como se houvesse um milhão de gritos presos dentro do meu peito, mas tenho que mantê-los presos lá dentro porque para que gritar se não tem ninguém para escutar seus gritos e ninguém vai me escutar aqui. Ninguém jamais me ouvirá novamente.
Aprendi a ficar olhando para as coisas.
As paredes. Minhas mãos. As rachaduras na parede. As linhas nos meus dedos. Os tons de cinza no concreto. O formato de minhas unhas. Escolho uma coisa e fico olhando horas para ela. Conto as horas na minha cabeça contando os segundos à medida que eles passam. Conto os dias que passam enumerando-os. Hoje é o dia dois. Hoje é o segundo dia. Hoje é um dia.
Hoje.
Está muito frio. Está tão frio está tão frio.
Por favor por favor por favor.


Destrua-me
Tahereh Mafi


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